Três dos principais nomes anunciados pela I Bienal do Livro do Paraná anunciaram nesta quarta (1) que não irão mais participar do evento. Os jornalistas Pedro Bial e Sérgio Rodrigues e a escritora Thalita Rebouças cancelaram sua participação no evento, agendado para os dias 10 a 19 de outubro no Jockey, em Curitiba. A programação completa que estava nos destaques do Instagram do evento foi retirada do ar.
A assessoria de Thalita Rebouças informou que o contrato não foi assinado em tempo hábil e solicitou a retirada do nome da escritora da divulgação. A reportagem também apurou a saída dos outros dois convidados com fontes próximas dos autores. Bial alegou problemas de agenda para o cancelamento.
A escritora Jarid Arraes também comunicou em suas redes sociais que não estará no evento, por motivo de saúde.
Problemas
O Plural publicou na semana passada uma longa reportagem mostrando diversos problemas e dúvidas que pairam sobre a Bienal, como processos judiciais contra a organizadora e sua empresa, que inclusive está com contas bancárias bloqueadas.
A reportagem também confirmou que o vídeo com uma montagem grandiosa publicado sexta-feira (26/09) no Instagram da Bienal mostrando o início das montagens de estruturas não é do evento. São imagens do Super Tenda, que aconteceu no Jockey Club do Paraná dia 27 de setembro, informou uma fonte ao jornal.





Linha superior, imagens do vídeo publicado no Instagram da Bienal em 26 de setembro. Linha inferior, fotos do evento Super Tenda, no dia 27 de setembro, no Jockey Club do Paraná. (Fotos: Reprodução do Instagram do evento.)
O Plural está apurando como quem comprou ingresso poderá pedir reembolso para a empresa Fever.
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Após a publicação desta reportagem, a assessoria da Bienal enviou à imprensa uma nota oficial.
"Nota à imprensa
A Cocar Produções Editorais, organizadora da Bienal do Livro do Paraná, vem a público esclarecer alguns pontos levantados por veículos de imprensa nas últimas semanas.
Diferentemente do que pontuais reportagens apresentaram, a empresa não possui contas bancárias bloqueadas, assim como situações passadas, decorrentes da pandemia e de problemas de saúde enfrentados tanto pela diretora quanto pela empresa, já foram solucionadas.
Da mesma forma, nenhum funcionário que tenha trabalhado para a Bienal ficou sem receber qualquer tipo de pagamento, uma vez que não há problemas ou ações em aberto no âmbito do direito trabalhista.
A respeito da organização da Bienal do Livro do Paraná, cabe ressaltar que, a partir do início da divulgação do evento, houve apenas uma mudança de local, provocada por questões contratuais com o espaço anteriormente contratado para a realização das atividades.
Relacionado ao fato, a Cocar pontua que não houve tempo hábil de entrada de recursos captados pela Lei Rouanet, que seriam contabilizados em outubro e dezembro deste ano. Desta forma, ficaram inviabilizados alguns patrocínios agendados previamente, o que não impediu a organização de seguir buscando, com recursos próprios, bilheteria e arrecadação junto a expositores, a realização da primeira Bienal do Livro realizada no Estado do Paraná.
Sobre os convidados confirmados pela organização, a Cocar ressalta que todas as passagens e hospedagens dos autores foram emitidas e estão sendo enviadas para cada um. Quanto a pontuais cancelamentos, dois casos em especial exigem uma explicação mais ampla:
- Pedro Bial: mesmo com uma solicitação de horário extra por parte da assessoria do jornalista, gentilmente o convidado precisou cancelar a sua participação, devido a alterações de agenda na emissora onde trabalha;
- Thalita Rebouças: a organização da Bienal recebeu, recentemente, um pedido de cancelamento da assessoria da autora, devido a uma alteração de valores de cachê que, em decorrência do pouco tempo solicitado para o trâmite, não foi possível ser realizada.
Por fim, a organização da Bienal reforça a presença de diversos autores dos mais variados gêneros literários, que abraçam a causa por um evento que fortaleça a cena literária em Curitiba e no Paraná. Há que se lamentar, no entanto, a postura de alguns veículos, exceções à regra do bom jornalismo brasileiro, que não contribuem para o bom desenvolvimento do evento. A Bienal do Paraná pertence a todos os amantes da literatura, entre público e autores, que lutam para o livro seja um direito acessível a toda a população.
Lis Alves
Cocar Produções Editoriais"
Esta reportagem foi atualizada em 1º de outubro de 2025, às 18:13.