A cena cultural de Curitiba está acompanhando um caso que parece saído das páginas de um romance policial para virar roteiro de filme. Tudo começou na noite de 31 de dezembro de 2025, durante uma festa de Réveillon na Soma Galeria, quando uma obra de arte “desapareceu” de uma das paredes: a tela “A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)”, do artista Gustavo Magalhães, do acervo permanente do espaço. Na época, a maior preocupação era de que o quadro fosse destruído num ato de desespero do responsável para evitar qualquer punição, então a diretora e proprietária do local, Malu Meyer, o produtor do evento, Thiago Oliveira, e o artista fizeram apelos pela devolução anônima da peça.
Muitos já davam a perda como certa. O próprio Magalhães produziu uma cópia do trabalho diante da falta de perspectiva da recuperação do original. Contudo, a história teve um plot twist: a tela foi encontrada na própria Soma, durante um encontro sobre pintura em tela acompanhado por degustação de vinho, na noite da última quarta-feira (18/03). “Teve um ‘Tintos e Tintas’ na galeria, de repente o Eric [um dos participantes] chega dizendo: ‘Acho que na festa do Oscar alguém deixou a obra no banheiro lá de cima’. Muito bom, muito bom, apareceu”, conta Malu. Uma festa no estilo tapete vermelho com a transmissão ao vivo da cerimônia do prêmio aconteceu três dias antes no local.
Plot twist
A proprietária, como declarado em entrevista ao Plural em janeiro, sempre teve esperança de que o item seria devolvido: “Avisei ao Gustavo, depois à polícia e à produtora da festa [do Ano Novo]. Eu tinha certeza de que apareceria, todo dia eu olhava na caixinha de correio tendo certeza que alguém iria devolver, porque a pessoa pegou para colocar na sua casa e viu que não poderia.” O impedimento da exibição da obra, mesmo em esfera privada, foi resultado da cobertura jornalística e da divulgação nas redes sociais. Malu suspeita que o sumiço e a façanha da devolução tenham sido atos de um cleptomaníaco.

O destino de “A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)”
A tela foi encontrada em perfeito estado, sem qualquer bilhete ou explicação. A diretora da galeria afirma que até o momento seu valor monetário não aumentou: “Isso é bobagem, especulação. A obra já não vale o que valia porque tem uma cópia.” Questionada sobre o que fará com o quadro, ela responde que ficará com ele. Não há previsão de próximos capítulos nesse enredo que parece ficcional, mas, informalmente, a equipe do Museu Oscar Niemeyer (MON) demonstrou interesse em expor as duas “A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)”, a original e também a nova produzida por Magalhães. Eufórica, Malu finaliza: “Eu tinha certeza que alguém iria devolver, estou muito feliz.”
Relembre o caso

