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José Aguiar fala sobre o lançamento do gibi inédito da “Malu”, sua personagem adolescente

Em entrevista, o quadrinista fala que deixou de “ser um homem que tentava escrever sobre uma menina através de convenções, perspectivas e humores masculinos” para a personagem ganhar voz

O lançamento do Gibi Malu Nº 1 é na noite desta sexta (15), na Gibiteca de Curitiba. (Imagem: Divulgação.)
O lançamento do Gibi Malu Nº 1 é na noite desta sexta (15), na Gibiteca de Curitiba. (Imagem: Divulgação.)
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O quadrinista José Aguiar lança uma nova fase de sua personagem “Malu”, nesta sexta-feira (15), às 19h, na sede temporária da Gibiteca. No evento, fãs e curiosos podem ver a adolescente pela primeira vez nas páginas de um gibi, encontrar o autor para sessão de autógrafos e saber como foram os bastidores da produção do trabalho. A programação também apresenta o episódio-piloto da série animada estrelada pela garota – que surgiu numa tira de jornal há mais de duas décadas e teve diferentes versões até chegar à atual, que começou como uma série nas redes sociais do autor e também no Plural, em 2025.

José Aguiar

Um dos nomes mais relevantes na cena curitibana dos quadrinhos, José Aguiar conquistou alguns dos prêmios mais respeitados na área, como os brasileiros Troféu HQMIX, Ângelo Agostini, LeBlanc e Minuano de Literatura, e foi indicado quatro vezes ao Jabuti (Brasil) e finalista do Prix BD Alternative em Angoulême (França). Já publicou na Europa e é autor de “A Infância do Brasil”; “CWB”; “Coisa de Adornar Paredes”;  “Debaixo d’água”, com Fernanda Baukat; “Vidas Secas” (de Graciliano Ramos, com roteiro de Fernanda Baukat) e das tiras “Nada Com Coisa Alguma”, no jornal O Globo. 

Em entrevista, o artista falou sobre o lançamento do gibi “Malu”, o primeiro de uma série em quatro volumes. Ele explicou que deixou “de ser um homem que tentava escrever sobre uma menina através de convenções, perspectivas e humores masculinos” e como a personagem ganhou a própria voz. Aguiar também contou como o desapego e o olhar das mulheres permitiram que a protagonista de 16 anos lide com a vida sem perder sua energia criativa. Confira a seguir. 

 A Malu surge em 2000 e está no mundo das tiras e HQs desde então. Qual foi o efeito do tempo sobre a personagem?

O tempo fez bem a ela e para mim também. Pude ir me soltando de vícios que engessavam a Malu enquanto potencial como personagem. Quando surgiu, numa tira de jornal, ela era muito estereotipada e a cada versão ela foi se soltando e ganhando um estofo, uma voz própria. Nos bastidores deixei de ser um homem que tentava escrever sobre uma menina através de convenções, perspectiva e humores masculinos para enfim torná-la uma personagem mais consistente.

Hoje a Malu é uma menina de 16 anos insegura, mas que sonha (também acordada) viver uma vida que não seja ordinária. Que precisa lidar com as complicações de crescer no Brasil, na Curitiba de hoje, sem deixar que as coisas chatas da vida apaguem sua energia criativa. 

Como foi levar a personagem para diferentes suportes?

Mudar de tiras para graphic novel, depois webcomic e agora uma animação me permitiu experimentar com ela e seu universo outras formas de narrativa. Voltar ao clássico formatinho gibi foi um jeito de falar através dela de pequenas coisas que são muito importantes.

As histórias também têm autoras. Por que isso é importante para o gibi? 

A proposta do gibi envolve também um desapego. Trazer novos olhares sobre a Malu. Especialmente o de mulheres. Convidar autoras para contribuir no projeto permite que a personagem aborde temas universais que são muito negligenciados. Principalmente aqueles sobre os quais não tenho vivência direta. Por exemplo, na primeira edição, a Fernanda Baukat, minha parceira na vida e nos livros “Debaixo d’água” (sobre parto humanizado) e na adaptação de “Vidas Secas”, escreveu com muita sinceridade uma história sobre a primeira menstruação da Malu. Algo que eu queria muito abordar, mas não de maneira inapropriada, chata ou didática.

Quem mais está na equipe principal? Por que a “Malu” gosta do trabalho em conjunto?

Nesta primeira edição, contei com dois coloristas incríveis, o meu ex-aluno Izaías (Zazá) e a Má Matiazi, na HQ escrita pela Fernanda, e ainda tem uma arte da ilustradora Melissa Garibelli. Juntos criamos uma sinergia muito boa com um opinando sobre o trabalho do outro para tirar o melhor de todos e entregar o melhor gibi no que a palavra sugere: gibi grampeado, fininho, barato, mas feito no capricho para ser gostoso de ler e ficar ansioso pela próxima edição!

Lançamento do Gibi Malu Nº 1

Data: 15 de maio de 2025 às 19h 
Local: Gibiteca de Curitiba | Nova sede 
R. São Francisco, 326. Telefone: (41) 3321-3250 
Programação 
19h - Palestra com o autor José Aguiar 
20h15 – Exibição do episódio-piloto da série animada da Malu 
21h – Autógrafos com o autor e a equipe 
Entrada Gratuita

*No dia do lançamento, os exemplares do gibi serão distribuídos gratuitamente e limitados a um exemplar por pessoa. 

O projeto "Malu" também oferece oficinas gratuitas

26/05 às 9h Curso gratuito de quadrinhos para crianças (de 6 a 10 anos) 26/05 às 14h Curso gratuito de quadrinhos para adolescentes (a partir de 10 anos) 29/05 às 19h: Curso gratuito de quadrinhos para adultos 

Informações e inscrições para as oficinas: 
Gibiteca de Curitiba: (41) 98519-7217
Vagas Limitadas

Projeto viabilizado pela lei do Mecenato Municipal da Fundação Cultural de Curitiba, com apoio das empresas Fiat/ Florença e IOP (Instituto de Oncologia do Paraná), em realização da Quadrinhofilia Produções Artísticas.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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