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Incomodados com descarte de spray, grafiteiros transformam resíduos em arte na mostra Convergir

Grafiteiros de Maringá transformam o descarte de sprays na exposição “Convergir”, no CAC. Unindo arte e consciência ambiental, Frank Paris, Melina Ramos e Mateus Rosa reaproveitam resíduos da arte urbana em obras inéditas. Abertura nesta quarta (10), com entrada gratuita e oficinas.

Incomodados com descarte de spray, grafiteiros transformam resíduos em arte na mostra Convergir
Os artistas Mateus Rosa, Melina Ramos e Frank Paris. Foto: Reprodução
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O grafite colore as paredes cinzas de Maringá, mas deixa um rastro invisível e incômodo nos bastidores: o descarte de latas de spray e bicos plásticos, materiais de difícil reciclagem e sem canais fáceis de logística reversa. Incomodados com o impacto ambiental da própria profissão, os artistas locais Frank Paris, Mateus Rosa e Melina Ramos decidiram transformar o resíduo em manifesto. A partir desta quarta-feira (10), eles apresentam o projeto “Convergir”, uma exposição que usa o lixo da arte urbana como matéria-prima.

A mostra, que ocupa o Centro de Ação Cultural Márcia Costa (CAC) até o final do mês, subverte a lógica tradicional das galerias. Em vez de apenas telas prontas, o público vai encontrar painéis em MDF e instalações interativas construídas com filtros de carvão descartados, bicos plásticos (caps) e latas vazias coletadas nos últimos anos de produção do trio.

Para Frank Paris, um dos idealizadores, a exposição é uma oportunidade de humanizar o processo e desmistificar a figura do grafiteiro. Ele aponta que a iniciativa busca aproximar a essência do artista de rua da comunidade, ajudando a derrubar preconceitos e estigmas que a arte urbana ainda enfrenta no dia a dia.

Arte com responsabilidade ecológica

A proposta ganha relevância ao se alinhar diretamente às metas globais de sustentabilidade, especificamente ao ODS 12 da ONU, que debate o consumo e a produção responsáveis. Na prática, os artistas estão dando um destino nobre a materiais que fatalmente parariam em aterros sanitários.

De acordo com Melina Ramos, levar essa discussão a público é uma forma de mostrar que a arte urbana pode — e deve — propor saídas criativas para a redução de danos ao meio ambiente. "É uma resposta prática ao problema do lixo na nossa cadeia de produção", afirma.

Além das paredes da galeria: mural e oficina

O projeto não vai se limitar ao espaço fechado do CAC. Para quem deseja entender como o spray funciona antes de virar resíduo, o trio vai produzir um novo mural ao vivo, nos dias 13 e 14 de junho, no Conjunto Hermann Moraes Barros, abrindo o processo de criação para os moradores.

Já no dia 21 de junho, na Arena das Artes, ocorre o fechamento do ciclo com uma oficina voltada para a comunidade. Lá, os próprios artistas vão ensinar o público a customizar e transformar latas vazias em objetos utilitários, garantindo que o conceito de reaproveitamento seja compartilhado na prática.

Para se programar:

O projeto foi financiado com recursos do Fomento Aniceto Matti (Lei Municipal nº 11899/2024).

Thaís Almeida

Thaís Almeida

Sou jornalista e redatora, com experiência em diferentes frentes da comunicação: colunas de notícias, reportagem de rua e produção e apresentação de programas ao vivo. Minha atuação se concentra em temas como política e questões raciais.

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