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Gero Camilo fala que é preciso um cinema não só branco, sudestino e limitado, ao lado de Douglas Soares no lançamento de “Papagaios”

Em entrevista, o ator e o diretor revelam a história do suspense "Papagaios" dentro e fora da tela. O filme está em cartaz no Cine Passeio

Douglas Soares, diretor de "Papagaios", e ator Gero Camilo
Douglas Soares, diretor de "Papagaios", e ator Gero Camilo, protagonista do filme. (Foto: Bianca Merolli/Divulgação Olhar Filmes.)
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“Papagaios” (2025) estreou nesta semana no circuito comercial dos cinemas brasileiros e segue em cartaz até quarta-feira (29), salvo prorrogação. Em Curitiba, as sessões são às 17h50, no Cine Passeio. 

O filme de suspense é a estreia do diretor e roteirista Douglas Soares na ficção, traz Gero Camilo e Ruan Aguiar nos papéis principais e já conquistou prêmios consagrados. No Festival de Gramado, foram quatro Kikitos, o de Melhor Longa-Metragem do Júri Popular; Direção de Arte, para Elsa Romero; Melhor Desenho de Som, para Bernardo Uzeda, Thiago Sobral e Damião Lopes; e Melhor Ator para Gero Camilo – que repetiu o feito no Bravo Film Festival, em Los Angeles-EUA. 

No enredo, Tunico (Gero Camilo) é o mais famoso “papagaio de pirata” do Rio de Janeiro, sempre está atrás de repórteres para aparecer ao fundo de reportagens da TV, mesmo em tragédias ou velórios. Após um acidente em um parque de diversões, ele conhece um jovem misterioso (Ruan Aguiar) que se torna seu aprendiz. Esse encontro revelará a face oculta da busca pela fama a qualquer custo. 

Douglas Soares e Gero Camilo

Em entrevista exclusiva ao Plural, o diretor falou do filme, um projeto que começou há dez anos, do fascínio pelos “papagaios de pirata” e da escolha de Gero Camilo para interpretar o protagonista. Também contou o caminho até o lançamento de seu primeiro longa de ficção, que começou com um documentário com orçamento de menos de R$ 10. 

Ao jornal, Gero Camilo disse como foi trabalhar com um roteiro que constrói o suspense com o ‘não dado’. O ator também explicou que é preciso “parar de fazer um cinema só branco, sudestino e limitado” e que só a liberdade criativa pode resultar em “um cinema revolucionário”.

A dupla ainda contou por que o público deve ir ao cinema ver “Papagaios”, um filme bastante atual que amplia nosso olhar para a arte, enquanto “é um convite ao mistério”. Confira a entrevista completa, a seguir.

Douglas, você é o diretor de “Papagaios” e também o roteirista. De onde surge a ideia para o filme? 

Eu comecei a escrever o argumento de “Papagaios” em 2015, há 10 anos, em quatro mãos, junto com Humberto Carrão e depois eu segui escrevendo o roteiro. Eu sou documentarista e na época estava com muita vontade de fazer um filme de ficção, gosto muito de cinema de gênero e queria fazer um suspense. Então tive a ideia de fazer um suspense com os ‘papagaios de piratas’, figuras que me fascinam desde muito jovem. E, junto com o Carrão, fomos construindo a história.

Até chegar a este primeiro filme de ficção, como foi sua carreira de documentarista?

Faço cinema há 20 anos, comecei em 2006, e meu primeiro curta [Minha Tia, Meu Primo (2008)] foi muito simples, eu gravei com minha tia-avó em uma tarde quando fui buscar um animalzinho dela para cuidar, porque ela iria viajar. Esse primeiro filme, em que gastei só R$ 8 para fazer, começou a rodar por festivais e as pessoas ficaram interessadas no que eu tinha para mostrar, para conversar. 

Desde então, foram sete curtas, o longa-documental “Xale” (2016), e “Papagaios”, que é a primeira ficção. Os últimos documentários que eu fiz foram contaminados, num bom sentido, por essa vontade de fazer ficção. Eu botava sempre ali uma coisinha ficcional, criava um filme híbrido, mas “Papagaios” é o meu primeiro filme 100% ficcional.

Por que escolheu Gero Camilo para o papel de Tunico, o protagonista do longa-metragem? 

Eu puxei ele para o filme. Durante um bom tempo do roteiro, na parte final do desenvolvimento, eu já tinha em mente que era ele, escrevi pensando nele. Eu o admiro, no cinema, Gero esteve em muitas obras fantásticas, como “Bichos de Sete Cabeças” (2000), “Carandiru” (2003). E eu queria muito que ele topasse. Que bom que topou e que fez o meu filme! 

“Papagaios” é um filme que joga com o que não é dado. Ele não entrega, ele instiga. Gero, com sua longa e diversa carreira, como foi trabalhar com isso? 

Foi ótimo, porque é um roteiro incrível. Um desses roteiros raros que chega nas mãos de um ator e que dá essa possibilidade toda de trabalhar muito com entrelinhas, com respostas não dadas de uma forma muito óbvia. É um prato cheio para o trabalho de ator, ainda mais se tratando de um suspense – que também é uma linguagem rara na nossa cinematografia. 

Então, também vira um experimento com muita brasilidade, porque, como não temos tanta experiência do fazer, é fazendo que a gente constrói linguagem. Nesse sentido, “Papagaios” é um excelente experimento de um estranhamento cinematográfico que precisamos ver nas telas brasileiras. 

Gero, antes das filmagens de “Papagaios”, você estava um pouco magoado com a produção cinematográfica brasileira? 

Estava, mas isso é passado. Agora eu continuo na batalha, na militância artística para que o nosso audiovisual seja o mais democrático possível, para que a gente tenha uma diversidade de corpos políticos na historiografia do nosso cinema e que se pare de fazer um cinema só branco, sudestino e muito limitado em determinadas questões políticas.

A gente precisa de liberdade criativa para fazer um cinema revolucionário. Isso, sim, é o que vai construir um cinema potente, como eu espero. 

Por que o público deve ir ao cinema ver “Papagaios”? 

Douglas: Porque vocês vão descobrir figuras muito tradicionais do Rio de Janeiro, mas em uma história não tão local. É uma história universal sobre desejos, sobre ambições, sobre pessoas como nós que querem apenas ser validadas e, muitas vezes, acabam querendo ser validadas pelo olhar do outro. E, mesmo sendo um filme de época, ele é um filme bastante atual, fala muito sobre o tempo que a gente está vivendo hoje, principalmente com as redes sociais. 

Gero: Tem uma outra coisa: é o convite ao mistério, é o convite à sala de cinema. É a volta a um hábito sadio de linguagem e de arte, é não estar só no sobe e desce de tela, é estar no horizontal e no vertical de uma forma ampla, com uma fotografia que amplia para a natureza, que amplia para muito mais do que uma tela pequena como esta [e aponta para o celular gravando a entrevista]. Isto aí é pequeno, então: amplia, amplia, amplia, amplia, amplia, amplia… e vem para o cinema! 

Serviço: Filme “Papagaios”

(Suspense)

De 24 a 26 de abril (sexta a domingo), às 17h50, e de 28 a 29 de abril (terça e quarta), às 17h50, no Cine Passeio (Rua Riachuelo, 410, Centro, Curitiba-PR. Na esquina com a Rua Carlos Cavalcanti).

Ingressos no site ou na bilheteria do cinema.

Classificação: 14 anos

Duração: 1h30min

O longa tem produção da Glaz Entretenimento e Meus Russos, conta com uma coprodução e distribuição com a parceria da RioFilme, e codistribuição da Olhar Filmes e Vitrine Filmes. O filme contou com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)

Ficha técnica 

Direção e roteiro: Douglas Soares

Elenco: Gero Camilo (Tunico), Ruan Aguiar (Beto), Leo Jaime, Angela Paz (Livia Paz), Ernesto Piccolo (Clau), Babi Xavier, Claudete Troiano, Marcello Escorel (Russo), Roney Villela (Borges), Jorge Maya (Matias), Flavio Birman (Batista), Cristiano Lopes (Clóvis)

Direção de Fotografia: Guilherme Tostes

Direção de Arte: Elsa Romero

Figurino: Dani Lima e Fernanda Garcia

Maquiagem e Caracterização: Ana Simiema

Trilha Sonora Original: Reno Duarte

Montagem: Allan Ribeiro

Som Direto: Thiago Sobral

Desenho de Som: Bernardo Uzeda

Mixagem: Damião Lopes

Produção: Mayra Lucas, Luiza Favale, Andy Malafaia, Heitor Franulovic, Lucas Barão e Paulo Serpa

Produção Executiva: Heitor Franulovic e Paulo Serpa

Preparação de Elenco: Tati Muniz

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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