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Filme de Marina Barancelli mostra o olhar colonial vivo no racismo estrutural das artes

Em entrevista, cineasta fala sobre o curta-metragem “Rapsódia em Azul: Balé, Resistência e Ancestralidade Negra”, inspirado na trajetória de Josephine Baker

Filme de Marina Barancelli mostra o olhar colonial vivo no racismo estrutural das artes
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A curitibana Marina Barancelli lançou no ano passado (2025) “Rapsódia em Azul: Balé, Resistência e Ancestralidade Negra”, seu segundo filme como diretora, roteirista e produtora. O curta-metragem é inspirado na vida e obra de Josephine Baker, mulher de grande importância na luta contra o racismo e também reverenciada pelo feminismo, e fala da barreira até hoje imposta aos negros pelo olhar colonial e pelo racismo estrutural - também - nas artes.

O drama revela o quanto corpos pretos ainda são restritos a papéis estereotipados, principalmente em áreas elitistas como a dança clássica e, com sensibilidade, desperta a reflexão sobre a carência do protagonismo negro real, bem como sobre o poder devastador disso para os indivíduos. Tudo sem diálogos, escolha pertinente ao cenário da trama, o universo do balé, e fruto de um desafio imposto a si mesma pela cineasta.

“Rapsódia em Azul: Balé, Resistência e Ancestralidade Negra” já foi exibido no Festival de Trancoso e na Mostra Adélia Sampaio, entre outros eventos dedicados a produções cinematográficas, e deve continuar no circuito de premiações por mais um ano.

Marina Barancelli

Com mais de 15 anos de experiência em artes, a cineasta foi a primeira não britânica aceita na National Youth Film Academy do Reino Unido e cursa pós-graduação em Cinema na National Film and Television School (NFTS). Também estudou atuação com o cineasta Guto Pasko e direção e interpretação com Ana Johann e Jaciara Rocha, além de ter no currículo outros cursos de preparo e especialização no Brasil e no exterior. No teatro, são mais de dez trabalhos como atriz ou bailarina, e um como atriz, figurinista e produtora. 

Ao Plural, ela falou sobre “Rapsódia em Azul” e revelou as motivações envolvidas no roteiro, inclusive pontos biográficos presentes metaforicamente na obra. Ainda conversou sobre a carreira, o próximo filme, a série "Bridgerton", e também explicou como a “régua é muito maior” para os negros. Confira a entrevista com Marina Barancelli a seguir.

Como o cinema entrou na sua vida? Atualmente, qual a área mais importante em sua carreira? O que você ambiciona para o futuro?

O cinema sempre fez parte da minha vida. Meu pai e minha mãe foram fãs ávidos de filmes e muitas memórias da minha infância envolvem estar assistindo a filmes. Um dos favoritos do meu pai é "Forrest Gump". Ele me falava com tanto amor sobre esse filme que me marcou, devo ter assistido umas 20 vezes na minha infância. Isso ajudou muito na minha decisão de ser atriz, que eu segui desde muito nova, além da dança. Sempre foi fascinante para mim contar histórias e – depois de me formar em arquitetura e junto em teatro – entendi que seguir como arquiteta em primeiro lugar e atuação em segundo não era viável, tinha que ser ao contrário. Então eu comecei a transição de carreira.

Nesse meio tempo, em um set de filmagem grande, eu sofri racismo e não tinha nenhum lugar para eu correr ou conversar sobre, porque eu ainda não conhecia quase nada do mundo do audiovisual. Isso me deixou muito assustada e triste, estava fazendo o que amo, mas em um estado que não era sustentável. Eu tinha acabado de fazer um curso de cinema com a Ana Johann e a Jaciara Rocha, era para eu estar atuando e diretores iriam dirigir as sketches (cenas), mas ninguém queria dirigir, então me voluntariei. As duas disseram que eu tenho um olhar especial e que devia dar atenção para a direção. Juntando esses fatores, eu resolvi entrar de cabeça para a direção, mas, sendo uma iniciante, eu precisei dar esse pulo sozinha e produzir. Produzir sempre foi algo que eu tive que fazer e é algo que sempre fui boa. Uma coisa foi levando à outra. Fui estudar muito, muito mesmo, e agora eu posso falar de boca cheia que sou diretora, atriz, roteirista e produtora.

Para o futuro, eu não quero estar em produções que não valorizam vozes, não respeitam pessoas e, além de tudo, não tratam o cinema como uma profissão, como uma indústria. Ano passado, consegui um feito muito grande que foi entrar na National Film and Television School no Reino Unido, considerada uma das maiores escolas de cinema do mundo há 15 anos, e estou estudando cinema e ganhando um conhecimento absurdo. Isso está abrindo os meus olhos para o que eu não quero e para o que eu quero, porque, pela primeira vez, eu tenho acesso ao que é uma indústria gigante de cinema. O caminho que preciso trilhar por enquanto, se eu quero fazer cinema do modo que acredito, exige que eu me dedique nessas quatro frentes. Mas, claro, a direção e a atuação estão muito fortes no meu coração, espero um dia me sentir confortável e feliz em trabalhos que eu possa só dirigir ou só atuar.

Quando a produção do filme começou e quanto tempo levou a produção do curta-metragem? Como está a trajetória do filme?

A ideia de “Rapsódia em Azul: Balé, Resistência e Ancestralidade Negra” nasceu em 2017. Na época, eu criava histórias e não tinha noção de que poderiam virar filme, eu só queria, de alguma forma, me inserir na tela. Então surgiu a oportunidade de escrever o filme no edital da Lei Paulo Gustavo em Curitiba, eu já tinha dirigido meu primeiro filme. O curta passou e começamos a produção em março de 2024, levamos quase um mês para terminar a gravação e, depois, a pós-produção durou mais quase quatro meses. Mas, para realmente conseguirmos finalizar tudo no filme, demorou até a metade de 2025. É um processo longo e não adianta tentar apressar, isso eu aprendi com o filme.

Nós começamos a circulação em festivais em setembro do ano passado e, até agora, todos os meses entramos em um festival, o que é muito bom para o filme. Entre os do ano passado, destaco o Festival de Trancoso, onde estive presencialmente. Neste ano, agora em fevereiro, o curta estará na parte de mercado do Clermont-Ferrand, que é o maior festival de curta-metragens do mundo. Outro momento especial foi a estreia em Brasília, com a Mostra Adélia Sampaio, evento importante para a comunidade preta, principalmente para mulheres pretas. Ainda estamos esperando seleções de vários festivais ao longo deste ano e, aí, teremos no mínimo mais um ano de circulação.

Quando surge seu interesse por Josephine Baker e como foi a pesquisa sobre a artista? O que a trajetória dela revela sobre os papéis que historicamente foram destinados e negados para artistas negros?

A Josephine sempre esteve comigo. Eu cresci com poucas referências de mulheres pretas na TV, e, quando existiam, elas estavam em papéis estereotipados. E, com uma mãe professora de História, sou fascinada por estudar o passado, em especial, filmes de época. Mas a grande questão é que a gente quase não encontra figuras pretas em filmes de época que não sejam pessoas escravizadas, "Bridgerton" mudou isso um pouco nos últimos anos. Contudo, quando eu era pequena, eu tinha mania de tentar me inserir nas histórias, imaginando como seria se uma mulher preta estivesse naquele filme, como tal personagem. Outra parte disso era pesquisar essas mulheres que resistiam e estavam fazendo arte.

A Josephine surgiu assim, de ler, fuçar e pesquisar. Eu lembro que, quando a descobri, quase entrei em um hiperfoco. Assisti a todos os filmes disponíveis, vídeos, músicas, li biografias, li tudo o que eu podia. E ela era simplesmente uma pessoa fascinante. Sinceramente, ela estava no mesmo nível da Elizabeth Taylor, em termos de uma vida interessante, e da Audrey Hepburn, no quesito talento. Ela cantava, dançava, atuava, criou uma identidade, era inteligente e, inclusive, foi espiã na Segunda Guerra Mundial para a França. Uma mulher absurdamente incrível. E, hoje em dia, uma pessoa consegue listar pelo menos cinco mulheres brancas que eram contemporâneas dela, entretanto não consegue citar a Josephine. Ela era um fenômeno em venda de ingressos para apresentações, mas, quando ia a um hotel nos Estados Unidos, ainda tinha que entrar pela porta dos fundos.

Ela foi uma mulher à frente de seu tempo, tendo que ser dez vezes mais para atingir o que uma mulher branca conquistava com um décimo do talento dela. Hoje, ela é muito conhecida pela saia de bananas. O que a deixou famosa foi uma dança em que um explorador branco deitava em meio a um cenário de selva enquanto ela dançava seminua com uma saia de bananas. Muita gente subverte esse símbolo, no entanto, eu fico pensando em como ela se sentia antes de entrar nesse palco. O que passava em sua cabeça quando via mulheres com quem ela conseguia bater de frente no talento, fazendo personagens complexas, ganhando Oscars e prêmios.

Como o enredo do filme conversa com a trajetória de Josephine Baker e com o debate atual sobre racismo?

A Josephine ilustra perfeitamente o que significa ser um artista preto nos dias de hoje. Ainda temos exemplos de mulheres pretas que, mesmo com talento enorme e com histórias que não se resumem à pobreza, ao trabalho ou ao sacrifício, acabam sendo reduzidas a isso. Além do mais, o estereótipo e o racismo em relação à figura do macaco ainda permanecem: até hoje temos jogadores de futebol que recebem bananas em campo. Então, muita coisa mudou, mas infelizmente isso ainda permanece atual.

Não há diálogos no curta, o que motivou essa escolha?

O filme não foi feito especificamente para contar uma história, e sim para mostrar como esse racismo, esse estereótipo silencioso, porém gritante, muitas vezes passa despercebido e acaba sendo normalizado. O fato de uma apresentação replicando a de Josephine poder estar hoje em um teatro, com pessoas comprando ingressos, batendo palma sem pensar no que estão consumindo, me faz refletir até que ponto a gente, como população, sabe perceber o racismo. Hoje em dia, atores e artistas ainda precisam vir a público para soltar notas de repúdio explicando situações de racismo e, na maioria das vezes, encontram comentários dizendo que há exagero. Isso é muito claro, pelo menos para a população preta, sobre onde a gente se encontra.

Estamos passando por uma transição, sim, mas nem perto do que deveria estar normalizado. Um exemplo em que tenho pensado muito é a forma como "Pecadores" vem sendo retratado pela mídia. Eu lembro de uma reportagem que, quando o filme saiu e teve uma bilheteria alta, noticiou isso como uma luta que obra estava enfrentando. Meses depois, quando saiu "Marty Supreme", um filme biográfico sobre um homem branco, fez uma bilheteria significativamente menor, o que foi tratado pela mídia como uma vitória. Eu poderia continuar essa lista para sempre, mas a questão é que essa batalha, por mais que hoje seja mais coberta pela mídia e tenhamos mais pessoas conscientes, ainda é muito uma batalha.

Foi muito a partir disso que eu decidi que o filme seria sem falas. Eu tive uma fase da minha vida muito engajada com o movimento negro e era exaustivo o quanto eu insistia em explicar para as pessoas situações que eu não aceitava. Muitas coisas estavam acontecendo e ninguém ouvia. Um exemplo mais pessoal é o número de vezes que eu, indo a um shopping, fui seguida por seguranças em lojas, ou o quanto, mesmo vestida de forma extremamente diferente, alguém me confunde com uma vendedora quando entro em uma loja. Isso é um exemplo pequeno, contudo eu lembro de tentar falar sobre essas situações com as pessoas e, muitas vezes, ouvir respostas como “ah, mas eles fazem isso com todo mundo” ou “você tem certeza de que não era coisa da sua cabeça?”. São situações tão inseridas no nosso cotidiano e tão normalizadas que, muitas vezes, a gente não consegue nem denunciar.

Eu estava muito, muito cansada. Quando o filme surgiu, ele sempre foi sobre o balé, porque foi onde eu cresci e tive uma formação muito forte como pessoa. Mas também era um lugar onde eu não era feita para estar. Meu corpo, meu cabelo, minha pele. Eu lembro de me sentir muito solitária e sem voz. Além disso, o balé é uma linguagem em que a história é contada pelo corpo, além do cenário, da coreografia e da luz. Tudo isso se uniu no meu entendimento de que o silêncio também pode ser poderoso, assim como na compreensão do poder do balé e do corpo quando a gente conta histórias. E, além disso, claro, existia o desejo de experimentar como diretora e entender até onde eu consigo levar a linguagem cinematográfica para contar uma história.

A trilha sonora é inspirada na herança do jazz e também na música clássica. Como isso funciona no filme?

Então, a trilha é muito especial. O jazz tem herança na música de pessoas pretas, assim como muitos gêneros musicais populares no mundo hoje em dia. Mas o jazz é um ritmo preto. Você consegue ouvir claramente a influência da cultura negra na música de Gershwin, que é o compositor da trilha original. E não é qualquer influência: é a dos povos escravizados, de gêneros como spirituals, blues e ragtime, refletindo a vivência e a luta da comunidade afro-americana. É uma música com muita alma.

Normalmente, temos o balé clássico, que é retratado no filme com música clássica. Eu sou uma grande fã de música clássica, mas ela não iria funcionar para o que eu queria. "Rapsódia em Azul" é uma peça de 1924, com cerca de 16 minutos. A rapsódia é um tipo de música em formato livre, que passa por vários temas musicais e, ainda assim, conta uma história. E o “azul” tem relação, claro, com o blues, o estilo musical. Mas, para mim, o blue sempre foi o azul no sentido do triste, porque essa música sempre teve um aspecto muito pessoal de altos e baixos, e até um pouco melancólico. Então a escolha foi muito certeira, porque a ideia nasceu enquanto eu estava escutando essa música.

A trilha do curta foi uma composição muito interessante. O Zak Beatz é um produtor preto de Curitiba, que tem uma presença muito importante. Ele fez a trilha do meu primeiro filme ["Moon River"(2023)] e, desde então, a gente se deu muito bem trabalhando juntos. Em “Rapsódia em Azul: Balé, Resistência e Ancestralidade Negra” o processo durou meses, começou antes mesmo das gravações. Eu e ele ficamos sentados por semanas rearranjando a música para que ela coubesse na história, pegando trechos e transferindo para outros momentos, ouvindo versões, entendendo os instrumentos, pensando na coreografia. Depois que o filme foi gravado, ainda passamos mais alguns meses no estúdio criando os efeitos sonoros, trabalhando no foley e aperfeiçoando a música.

Como foi o processo de escolha da atriz que está no papel da protagonista? E o preparo para interpretação?

Foi um processo muito interessante. Nós tínhamos a preparação de elenco e a produção de elenco, e eu participei desse time para a escolha. Soltamos uma chamada de elenco inclusive para fora do Paraná, procurando bailarinas, pois eu sabia que precisaria de bailarinas profissionais para esse filme. A seleção teve algumas fases, elas mandaram vídeos com coreografias bem complicadas desde o início, porque o filme necessitava de uma técnica muito boa.

A Ketheleen Souza, que faz a personagem principal, já se destacou desde o primeiro vídeo. Depois, fizemos uma nova seleção com as bailarinas para a fase da atuação, e ela também se mostrou muito talentosa. Além dela, tivemos as outras duas personagens principais, que passaram pelo mesmo processo: a Monique Benoski e a Vida Santos.

Depois que elas foram escolhidas, passamos por um mês intenso de ensaios. Nós separamos a atuação da coreografia, porque o filme foi inteiramente coreografado. Leo Lino assinou a coreografia e eu assinei a movimentação junto com as duas diretoras de fotografia. A gente cortou o tamanho exato da música para cada cena e ensaiou extensivamente para que, no fim, tudo parecesse uma coreografia só.

Você é uma artista negra. Qual momento de sua carreira foi mais prejudicado pelo racismo estrutural?

Acho mais fácil pensar em qual momento não foi. Eu estudo atuação desde muito pequena e passei por quase todas as escolas de atuação aqui de Curitiba. Além disso, danço desde muito nova e também me formei em Teatro Musical, além de atuação para cinema. Em 2016, fui morar em Londres e entrei na National Youth Film Academy, no Reino Unido. Lembro que, quando fiz a audição, tinham cerca de quatro mil inscritos e apenas cerca de 20 atores entraram. O que eu quero dizer é que eu provei em vários momentos para mim mesma que sou uma profissional competente, mas, de algum modo, isso nunca foi o suficiente. Começando pelo fato de que eu não tinha papéis. Pelo menos naquele momento, quando eu voltei, não tinha. Para pessoas pretas, queriam um estereótipo de cabelo, de cor de pele, de peso, e eu não me encaixava.

Foi então que eu entrei na direção e no roteiro, e comecei a escrever papéis. Agora, depois de alguns anos, é muito bonito ver a cena de Curitiba mudando, ver atores e atrizes pretas trabalhando. Entretanto é engraçado, porque isso ainda é muito concentrado em um grupo de pessoas pretas que escrevem papéis que vão além do estereótipo.

Lembro-me de uma vez que resolvi pintar o cabelo de ruivo e mandei uma foto para a agência em que eu estava. A booker me disse, sinceramente, que eu não ia conseguir trabalho porque não era natural e as pessoas não queriam coisas que não fossem naturais. Eu tinha amigas brancas no elenco dessa agência, com cabelos pintados, e elas continuavam conseguindo trabalho. Foi aí que pensei: eu não posso nem pintar o cabelo? Porque eu não me encaixo nessa imagem que eles têm? Por que uma pessoa preta não pode ter o cabelo da cor que quer ou do formato que quer e ainda ser considerada natural?

Enfim, além de na atuação, na direção e no roteiro, a gente sente isso em vários níveis, recentemente, estou desenvolvendo um roteiro que fala sobre racismo e relação interracial. Com "Rapsódia", a crítica que eu recebo de pessoas brancas quase sempre vem do lugar de eu não “resolver” o racismo no filme. No sentido de precisar de um final feliz em relação a isso, ou de explicar o racismo, ou de dar uma solução para que ele não exista mais. Eu fico pensando como deve ser ser uma pessoa branca que consegue escrever sobre qualquer coisa e não ser questionada sobre o porquê, ou não ser cobrada de resolver questões raciais, ou até de explicar o racismo. Por que nós não podemos ter só um romance sem falar de sofrimento? Por que não podemos falar do sofrimento a partir da nossa perspectiva?

É uma régua muito maior, é uma cobrança muito maior, e, quando você tenta contrariar isso, o que vem do outro lado quase sempre coloca a sua fala como algo pessoal demais. Tudo o que você coloca no mundo é analisado por uma lente diferente. São muitas camadas e é preciso muita resiliência diária para continuar. Muitas vezes eu até me peguei pensando em parar, mas aí penso nas pessoas que vieram antes de mim e que me permitiram estar aqui. E, mesmo sabendo que sou só uma pessoa aqui de Curitiba, talvez eu possa, no futuro, ajudar alguém como eu.

Quando o filme estará disponível para o grande público?

Ele estará disponível só depois que terminarmos o circuito de distribuição, porque a maioria dos festivais pede essa exclusividade. Depois dessa rota de eventos, tentaremos colocá-lo em algum streaming.

Por que as pessoas devem assistir “Rapsódia em Azul — Balé, Resistência e Ancestralidade Negra”?

"Rapsódia" é especial desde a concepção. É um filme único e, às vezes, até polêmico. Nós tivemos muita coragem de colocá-lo no mundo, porque ele fala sobre dor, mostra a dor, mas ele é necessário exatamente por isso. Diferente de filmes que são feitos apenas para retratar sofrimento, ele mostra de onde essa dor vem e como, e por que a gente não pode replicar isso. E, acima de tudo, mostra o quanto nós deixamos isso passar no dia a dia, seja por entretenimento ou por não perceber o que está bem na nossa frente. Fora ser um filme com produção local, com pessoas daqui, ele tem uma linguagem diferente e coloca o protagonismo preto em evidência.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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