Neste sábado (23) e domingo (24), será realizada a Festa do Divino Espírito Santo, na Ilha Rasa, em Guaraqueçaba, uma tradição caiçara que homenageia Pentecostes, o símbolo da descida do Espírito Santo aos apóstolos de Jesus Cristo.
O evento encerra uma romaria de 50 dias, que começou em abril, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá, com destino a praia de Juréia, em São Paulo. A peregrinação seguiu pelo litoral paulista até voltar às comunidades localizadas nas baías de Paranaguá e Guaraqueçaba, no Paraná.
A Ilha Rasa foi escolhida por sorteio pela Associação de Cultura Popular Mandicuera, grupo de Paranaguá e que mantém viva as tradições da região litorânea do Estado. A coordenadora da associação, Mariana Zanette, lembra que a festa é aberta a toda comunidade. “Você que tem fé no Divino Espírito Santo e gosta de uma boa festa em comunidade, não perca a oportunidade de festejar conosco”, enfatizou.
Programação
A festa começa no sábado pela manhã com saída do Barco Charmoso de Paranaguá até a Ilha. Chegando em terra, os peregrinos seguem batendo de porta em porta convidando os moradores para celebração que continua até a noite, momento em que começa o baile de fandango. Os grupos Chamarrita de Itapoá, Mandicuera, Mestre Eugênio, Dona Mariquinha, Marola, Raízes Fandangueiras, Fandanguará, Manema, Canto da Viola, Mucunã e Mandipuva estarão presentes na festa.
No domingo, é realizada a alvorada das bandeiras. Logo após o café, ocorrerá o encontro das bandeiras de todas as comunidades, com peregrinação até o mastro, cantorias de louvação locais e missa de pentecostes para acolhimento das bandeiras e folias. As vendas de passagens pelo Barco Charmoso já estão esgotadas, mas os moradores podem participar utilizando os meios de transporte próprios da região.
De onde vem
A Romaria do Divino Espírito Santo tem origem em Portugal, a partir de 1322, e chegou ao litoral brasileiro junto com os seus colonizadores. Em 700 anos, a romaria percorreu mais de 800 km pelos territórios mais antigos do Brasil como Cananéia e Iguape, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná. A peregrinação é considerada uma das maiores manifestações contínuas de fé do país.
Uma das diferenças em comparação as outras festas religiosas é a musicalidade carregada de características medievais como o uso de violas derivadas de alaúdes ou vihuelas (viola de mão), as rabecas dos rababes (de origem árabe) e as caixas do período templário.
Encontro entre passado e futuro
A Festa Do Divino é uma tradição que segue viva em muitas comunidades caiçaras e mantém elementos ancestrais presentes em cada encontro. São cantos, visitas às casas, levantamento do mastro, comidas típicas e compartilhadas, e principalmente o Fandango.
Na Ilha Rasa, o evento será uma oportunidade de reafirmar o encontro entre Portugal e Brasil, fé e cultura, memória e continuidade. Para o mestre fandangueiro e liderança na Festa do Divino, Aorelio Domingues, “a romaria é um compromisso espiritual e comunitário, uma herança que atravessa gerações e mantém viva a alma caiçara”, declarou.
Confira os horários
Sábado (23)
09h – Saída do barco no trapiche em frente ao Aquário de Paranaguá com destino a Ilha Rasa
12h15 – Levantamento do mastro
13h – almoço comunitário
14h30 – Romaria
18h – Santo Encerro
20h30 – Baile de Fandango
Domingo (24) - Pentecostes
06h – Alvorada das bandeiras
07h – Café da manhã
09h – Encontro das bandeiras, seguido de peregrinação.
10h – Santa missa de Pentecostes
12h – Almoço comunitário
14h30 – Derrubada do mastro, despedida e Santo Encerro
16h – Saída do Barco Charmoso
18h30 – Chegada prevista em Paranaguá