Quando se pensa em adaptação às mudanças climáticas, o debate costuma girar em torno de grandes obras e planejamentos. No entanto, uma nova política pública propõe que a resposta para a urgência ambiental passe, necessariamente, pela cultura e pelas dinâmicas das periferias urbanas.
Na semana passada, a cidade de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, foi o cenário escolhido para o lançamento nacional do programa Territórios Verdes da Cultura. Com a presença da Ministra da Cultura, Margareth Menezes, a iniciativa apresentou uma diretriz de transformar equipamentos culturais periféricos, como os Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs das Artes), em polos de sustentabilidade, economia circular e resiliência climática.
“Nossa proposta aqui é construir um modelo replicável de desenvolvimento territorial articulando tecnologias sociais, economia solidária e articular finanças comunitárias, educação financeira e protagonismo da juventude, das mulheres e da população negra, além de soluções baseadas na natureza para aumentar a resiliência climática desse território”, explicou a ministra.

A premissa do projeto afasta a ideia da cultura apenas como entretenimento e a pensa como ferramenta de planejamento urbano. O programa atua a partir de três eixos estruturantes: a implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que preveem a integração de áreas verdes e infraestrutura sustentável nos espaços já existentes, a educação ambiental e criativa, e o fortalecimento das ações comunitárias na busca por soluções para os desafios urbanos.
Para a ministra, “a cultura é ferramenta de articulação.” Ela destaca que, diante da realidade atual, não basta reagir aos problemas apenas após sua ocorrência, mas é fundamental preparar os territórios para os desafios crescentes, uma vez que as áreas periféricas e mais vulneráveis tendem a ser as mais impactadas pelas mudanças climáticas.
A escolha de Colombo para o lançamento não é acidental. O município já é terreno para a convergência de outras políticas públicas, como o Periferia Verdes Resilientes e o Periferia Viva, iniciativas pensadas a partir das SBN. Na prática, o projeto piloto receberá adaptações como jardins de chuva e calçadas drenantes. “Também queremos aproximar o urbano e o rural, fortalecer circuitos de economia local, feira agroecológica, moedas sociais e novas oportunidades de geração de renda”, acrescentou a ministra.