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Em “A Odisseia”, Christopher Nolan oferece um reflexo do espírito humano

Christopher Nolan tem algumas predileções temáticas evidentes ao longo de sua filmografia. O cineasta gosta de manipular o tempo e explorar as complexidades de mentes torturadas por sua própria genialidade.

Em “A Odisseia”, Christopher Nolan oferece um reflexo do espírito humano

Christopher Nolan tem algumas predileções temáticas evidentes ao longo de sua filmografia. O cineasta gosta de manipular o tempo e explorar as complexidades de mentes torturadas por sua própria genialidade. Nolan também gosta de fazer isso no maior palco possível: no cinema, IMAX de preferência, com o som alto o suficiente para fazer ecoar, na mente do espectador, a confusão vivida pelo personagem na tela. Em “A Odisseia”, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16), ele encontra a oportunidade de incorporar seus motifs a uma das histórias mais épicas já contadas.

Com roteiro e direção assinados por Nolan, “A Odisseia” adapta o poema homônimo de Homero, acompanhando o retorno de Odisseu (Matt Damon), herói da guerra de Tróia, para sua casa na ilha de Ítaca, onde sua esposa, Penelope (Anne Hathaway), aguarda seu retorno. Depois de passar dez anos nas praias de Tróia, Odisseu, responsável por conceber o plano que levou à destruição da cidade, enfrenta a fúria de homens e deuses numa jornada que lhe rouba mais dez anos de vida. Enquanto isso, Telêmaco (Tom Holland), filho de Odisseu, é ameaçado pelos pretendentes de sua mãe, que buscam controlar Ítaca através de um casamento com Penelope, que ainda se mantém fiel ao marido desaparecido.

O elenco de “A Odisseia” é tão grandioso quanto sua inspiração: além de Damon, Hathaway e Holland, Robert Pattinson, Lupita Nyong'o, Zendaya, Charlize Theron, Elliot Page, Samantha Morton, Jon Bernthal e Mia Goth completam o panteão de talentos de “A Odisseia”, alguns colaboradores frequentes do cineasta, outros novatos, todos excelentes em seus papéis. Pattinson, em especial, parece encontrar liberdade em personagens decadentes que seus primeiros papéis como galã adolescente pouco permitiam explorar. A Penelope de Anne Hathaway é certamente a mulher mais desenvolvida a sair das páginas de um roteiro de Nolan.

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Matt Damon, longe de casa, desperta compaixão em em qualquer jornada que protagonize, seja como o astronauta perdido em Marte ou como o herói de guerra que começa a perceber que a vitória talvez não valha o preço de sua alma. Odisseu representa uma profecia autorrealizada, um reflexo do espírito humano. Nossa destruição pode ser resultado direto das nossas ações em batalha, figurativa ou literalmente.

“A Odisseia” é o apogeu de uma carreira de quase 30 anos, nos quais Christopher Nolan ensinou seu público a assistir seus filmes. Aqui, como na maioria de suas obras, diferentes linhas temporais se juntam para formar um todo, uma tapeçaria tão intrincada quanto aquela bordada por Penelope durante sua vigília à espera do marido.

Vemos também algumas novidades para a filmografia de Nolan: o diretor, cuja insistência no realismo influenciou profundamente o caminho que, anos depois, contribuiria para a derrocada do universo cinematográfico da DC, faz concessões ao fantástico e à mitologia essenciais para a história que busca contar. Esta talvez seja a adaptação mais bem-sucedida da obra de Homero saída de Hollywood.

Com quase três horas de projeção, assistir a “A Odisseia” é uma viagem épica em si. O que é a experiência humana senão uma viagem no tempo, em que observamos as consequências das nossas próprias ações? Ao transformar um dos poemas mais antigos da humanidade em um espetáculo de escala monumental, Nolan entende que o verdadeiro monstro enfrentado por Odisseu nunca foi um ciclope ou um deus, mas o peso de suas próprias escolhas.

Luciana Santos

Luciana Santos

Jornalista com sólida experiência em jornalismo diário, produção de conteúdo, comunicação e marketing digital. Especializada em Jornalismo e Negócios Digitais, mestre em Cinema e Artes do Vídeo.

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