Pular para o conteúdo

Ana Paula Maia pode ser a primeira brasileira a ganhar o Internacional Booker Prize

Radicada em Curitiba, escritora é uma das finalistas do prêmio, considerado um dos mais importantes do mundo

Ana Paula Maia pode ser a primeira brasileira a ganhar o Internacional Booker Prize
Ana Paula Maia, finalista do Booker Prize
Publicado:

Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo

O Brasil volta a se destacar na literatura internacional: a escritora radicada em Curitiba Ana Paula Maia está entre os finalistas do Internacional Booker Prize, uma das premiações mais prestigiadas do mundo. O livro em disputa é “Assim na terra como embaixo da terra”, publicado em 2017 no Brasil pela Record e internacionalmente, em 2025, pela Charco Press com o título “On earth as it is beneath”, traduzido por Padma Viswanathan. O anúncio do livro vencedor ocorre nesta terça-feira, 19, em Londres. 

O enredo se passa em uma colônia penal erguida em um local histórico de pessoas escravizadas, onde a promessa de uma prisão modelo, sem fugas e com foco em ressocialização, se dissolve em um cenário de violência extrema. O carcereiro-chefe vira o principal algoz dos presos, transformando as noites em uma espécie de jogo de caça humana, em que condenados correm pelo terreno sob a mira de seu rifle. A narrativa constrói um clima de tensão, revelando aos poucos os horrores vividos ali. 

A autora 

Nascida em Nova Iguaçu (RJ) e moradora de Curitiba, Ana Paula Maia é, além de romancista, também dramaturga e autora da série de suspense sobrenatural “Desalma”, do Globoplay. Já publicou sete livros, incluindo o premiado “Enterre seus mortos” (2018), adaptado para o cinema em 2025, com Selton Mello e Marjorie Estiano no elenco. Em 2018, “Assim na terra como embaixo da terra” venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Livro do Ano, e, no ano seguinte, a própria autora repetiu o feito com “Enterre seus mortos”. 

Ao longo deste ano, o livro de Ana Paula Maia passou primeiro pela longlist e depois pela shortlist da edição de 2026 do International Booker Prize, que elege apenas seis obras finalistas traduzidas de alemão, francês, chinês, búlgaro e português. A própria organização do prêmio destaca que a escritora retoma influências da infância, transitando entre a violência cotidiana, o consumo de livros, filmes e músicas, e transformando isso em uma prosa enxuta, brutal e ao mesmo tempo fascinante. Críticas estrangeiras, como as do The New York Times, chamam o romance de “inventivo e implacável”, destacando como Ana Paula consegue equilibrar uma atmosfera carregada de brutalidade e corrupção institucional com uma escrita lírica e envolvente.

Histórico de brasileiros 

O International Booker Prize, concedido em Londres, destina‑se a obras de ficção não originalmente escritas em inglês. A premiação já havia incluído outros brasileiros como semifinalistas ou finalistas, casos de Itamar Vieira Junior, finalista em 2024 com “Torto Arado”, e Paulo Scott, semifinalista com “Marrom e Amarelo”.

Marya Marcondes

Marya Marcondes

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Palmeirense e colecionadora de hobbies.

Todos os artigos
Tags: Livros cultura

Mais em Livros

Ver todos

Mais de Marya Marcondes

Ver todos

De nossos parceiros