Pular para o conteúdo

Curitiba do presente pelo olhar de quem chega para o futuro

Em alusão ao Dia Mundial da Fotografia, série especial de cinco reportagens sobre a relação de Curitiba com a imagem

Curitiba do presente pelo olhar de quem chega para o futuro
Edifício na região central. Foto: Gabriela Preussler
Publicado em:

Recém-chegada à capital, Gabriela Preussler, de 18 anos, deixou Pato Branco em fevereiro deste ano para cursar Jornalismo na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Cresceu brincando com a fotografia, registrando viagens, amigos e paisagens. Agora, ao descobrir o fotojornalismo e conhecer a metrópole, fotografa aquilo que observa em um lugar diverso e ainda novo para ela.

Fechando a série de cinco reportagens sobre a relação entre Curitiba e a fotografia, a estudante uniu o exercício jornalístico de flanar pelo Centro ao ato de fotografar aquilo que lhe chamava a atenção. Nos dez registros que compõem esta publicação, compartilha o estranhamento provocado pela rotina de uma capital no cotidiano de quem vem de fora.

Um dos elementos que lhe chamaram a atenção foram os fios espalhados pelas ruas. Gabriela conta que a situação a incomoda principalmente na região onde mora. Já viu fios caídos serem amarrados próximos ao chão e, algumas vezes, quase tropeçou neles. Ao se deparar com uma cena semelhante durante a caminhada, decidiu enquadrar e apertar o obturador.

O mesmo incômodo surgiu diante de um edifício tomado por pequenas janelas. Acostumada a uma cidade de outra escala, viu naquela repetição uma imagem da vida acelerada que passou a associar à metrópole. A construção lhe remetia à ideia de que tudo precisava ser feito rapidamente e de que o espaço se tornava hostil.

“Não é que em Pato Branco não tenha prédios, mas este me deu uma agonia muito grande quando vi. Ele tem muitas janelas e me passa uma sensação de ‘produção, produção, produção’, como se tudo tivesse que ser feito de forma acelerada. Esses prédios cheios de janelinhas me dão a impressão de tentar colocar o máximo de gente possível no mesmo espaço”, disse.

Gabriela ressalta, porém, que não saiu de casa decidida a produzir uma coleção de imagens associadas a significados negativos. Algumas fotografias nasceram simplesmente do estranhamento e da curiosidade diante de elementos que não faziam parte de seu cotidiano anterior.

Foi assim também com os cartazes encontrados nos postes durante suas idas à Feira do Largo da Ordem. Chamaram sua atenção anúncios ligados ao tarô, como os que traziam a frase “Traga seu amor”. Não se lembrava de encontrar esse tipo de anúncio espalhado pelas ruas da terra natal.

Outra imagem surgiu a partir da lembrança de uma conversa sobre o trabalho de assentamento das pedras das calçadas curitibanas. A fotógrafa nunca havia acompanhado de perto alguém realizando aquele serviço. Impressionou-se com o processo de encaixar pedra por pedra, entre marteladas e movimentos lentos.

Entre as fotografias, uma das que melhor sintetizam sua percepção da cidade mostra um senhor e uma jovem de cabelos compridos. Gabriela percebeu que aquela cena reunia duas Curitibas que enxergava ao mesmo tempo: de um lado, o senhor, de boné, colete e camisa social, associado por ela a uma Curitiba mais tradicional; de outro, uma cidade atravessada por manifestações culturais protagonizadas sobretudo por jovens.

A mudança também a fez perceber, segundo suas próprias palavras, “o quanto bicho do mato” era. Ao chegar à capital, surpreendeu-se com a quantidade de pessoas e, sobretudo, com a diversidade de maneiras de pensar. Reconhece que determinadas visões podem ser majoritárias, mas considera impossível reduzir a cidade a uma única forma de pensamento.

Em cerca de duas horas, a estudante saiu do bairro Mercês e caminhou em direção ao Centro. Colocou os fones de ouvido, deu play nas músicas e manteve a câmera nas mãos. Seguiu sem roteiro definido nem uma lista de lugares a percorrer. Passou pelas imediações da Visconde de Nácar, da Praça Rui Barbosa e da Rua XV de Novembro, deixando que a própria cidade sugerisse as imagens abaixo:

Foto: Gabriela Preussler

Foto: Gabriela Preussler
Foto: Gabriela Preussler
Foto: Gabriela Preussler
Foto: Gabriela Preussler
Foto: Gabriela Preussler

Este texto integra o projeto Periferias Plurais, uma parceria entre o Plural, o Gasam e a Itaipu Binacional.

Eric Rodrigues

Eric Rodrigues

Repórter, fotojornalista e documentarista. Mestrando em comunicação na UFPR. Participante do 15º Curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Autor de "Comadre São".

Todas as reportagens

Gostou desta reportagem?

Considere pagar um café para Eric Rodrigues e apoiar o jornalismo independente do Plural. Aponte a câmera do seu banco para o QR Code ou faça um Pix de qualquer valor para a chave abaixo.

32885173000120

Mais em Periferia Plural

Ver todos

Mais de Eric Rodrigues

Ver todos

Conteúdo de parceiros