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Antropofocus leva ao palco uma sátira baseada em pessoas como eu e você

A comédia "Bom dia, grupo!", entre uma risada e outra, coloca uma pulga atrás de nossa orelha sobre o uso dos celulares; ainda existem ingressos à venda

Antropofocus leva ao palco uma sátira baseada em pessoas como eu e você
Cena do espetáculo "Bom Dia, Grupo!" (Fotos de: Chico Nogueira/Divulgação.)
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Nesta segunda semana do Festival de Curitiba 2025, o Antropofocus entra em cartaz na Mostra Fringe, com o espetáculo "Bom Dia, Grupo!”. São duas apresentações, uma na quarta-feira (2), às 20h, e outra na quinta-feira (3), às 18h, no Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel). Os ingressos estão à venda a partir de R$ 30, (meia-entrada), mas os lugares na plateia devem esgotar logo. 

A comédia conta a história de Karen, uma mãe que recebe o filho, recém divorciado, para morar com ela novamente. Em uma de suas muitas conversas matinais pelo Zap, Karen cai num golpe de sequestro porque, mesmo com o filho ao seu lado, ela não consegue distinguir o que é real e o que é "fake". O espetáculo é uma sátira abordando como utilizamos a tecnologia em nosso dia a dia, é baseado em pessoas reais - como eu e você, como todos nós.

O Antropofocus

O Antropofocus, nome que se traduz como “enfoque no ser humano” segundo seus integrantes, trabalha com pesquisa e criação colaborativa de espetáculos cômicos, em suas diferentes formas. Desde que entrou na ativa, o grupo já produziu mais de 15 espetáculos originais, um programa de rádio, vídeos e podcasts (feitos ao longo da pandemia), além de ter conquistado vários prêmios e fazer importantes participações em festivais de teatro. 

Apesar desse corpinho de adolescente, ou melhor, de um trabalho que conversa com o público de praticamente de todas as idades, o Antropofocus está na ativa há 25 anos. Inclusive, esse número é quase igual ao de participações no Festival de Curitiba, como contou ao Plural um dos artistas fundadores da companhia, Andrei Moscheto. “Em 2000, a gente estreou em Castro - PR; em 2001, fomos para o espaço de uma escola; e, em 2002, começamos no Teatro Cultura. Ainda em 2002, participamos do Fringe pela primeira vez, nesse falecido teatro que ficava no Centro de Curitiba, onde um parente de um dos atores disse: ‘Foi muito legal. Eu fui ver a peça do nosso sobrinho, que era lá num galinheiro’.”

Hoje, o grupo que nasceu inspirado em Monty Python (Inglaterra), Les Luthiers (Argentina), Asdrúbal Trouxe o Trombone (Brasil) e Parlapatões (Brasil), é referência da comédia curitibana e brasileira.

"Bom Dia, Grupo!”

Moscheto também é o diretor do espetáculo "Bom Dia, Grupo!”, que entra em cartaz agora no Festival de Curitiba. Sobre a montagem, ele explica que a ideia original era falar sobre a evolução da comunicação, desde os tempos primitivos até os dias de hoje, entretanto, tudo mudou. “Na reta final da pesquisa, nos confrontamos com a realidade de que somos seres humanos analógicos fingindo que entendemos a totalidade do digital. Perante o avanço vertiginoso das últimas décadas, somos os mesmos primitivos mas com tacapes de última geração".

Segundo o artista, o processo de criação da peça seguiu a maneira de fazer teatro do Antropofocus, sempre com a participação de parceiros criativos com espaço para feedback. “Isso é sempre desafiador e instigante, afinal, a gente se cerca de grandes conhecedores de comédia. No começo do processo todos os integrantes colocaram a mão no teclado no processo dramatúrgico e isso abriu a premissa que gerou o espetáculo.” 

E, durante esse processo, quem teve a epifania foi a integrante do grupo Anne Celli, atriz e diretora vencedora do Prêmio Gralha Azul em 2023. “Anne teve a ideia nesta época: ‘O que aconteceria se uma pessoa caísse num golpe de sequestro, desses via WhatsApp e, mesmo com provas contundentes reais por perto a pessoa ainda preferisse acreditar no golpe virtual?’; depois escrevi com a co-dramaturgia da Anne e uma assistência de Vítor Berti (que também foi assistente de direção no processo).”

Sobre os perrengues enfrentados para levantar um espetáculo que já fez breve temporada lotada no segundo semestre de 2024, não é surpresa a resposta do diretor. “Uma dificuldade foi a falta de grana para executar o trabalho de projeção. Desde o começo a gente queria fazer mais um espetáculo em que a narrativa em vídeo complementasse a dramaturgia e ação dramática dos atores. As tecnologias ideais para a execução (painel de LED, projetores de curta distância) estavam muito, muito fora das nossas condições financeiras. Na pesquisa para resolver o problema encontramos uma forma de projeção mais barata para integrar a narrativa", diz ele e complementa: “A grande alegria foi poder contar com a incrível parceria e colaboração de pessoas criativas para solucionar este desafio.”

"Bom Dia, Grupo!", no Circuito Independente da Mostra Fringe

Na quarta-feira (2), às 20h, e na quinta-feira (3), às 18h, no Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel). Os ingressos à venda a partir de R$ 30, (meia-entrada), aqui.

33º Festival de Curitiba

De 24/3 a 6/4 de 2025

Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85  (mais taxas administrativas).

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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