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Ana Paula Maia é a primeira mulher brasileira na semifinal do International Booker Prize

“Assim na terra como embaixo da terra”, da autora radicada em Curitiba, é o terceiro livro brasileiro selecionado ao longo da história de uma das premiações mais importantes da literatura

Ana Paula Maia é a primeira mulher brasileira na semifinal do International Booker Prize
O livro de Ana Paula Maia “Assim na terra como embaixo da terra” também venceu o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Melhor Livro. (Fotos: Reprodução do site da Cia das Letras e Instagram.)

A escritora e roteirista Ana Paula Maia, nascida em Nova Iguaçu (RJ) e radicada em Curitiba, conseguiu um feito e tanto. Seu livro “Assim na terra como embaixo da terra” é um dos 13 títulos da longlist de 2026 para o International Booker Prize – um dos prêmios literários mais importantes do mundo, em que concorrem obras não escritas em inglês originalmente. Outros autores nacionais já estiveram nessa lista em anos anteriores. Itamar Vieira Junior foi finalista, com “Torto Arado”, e Paulo Scott esteve entre os semifinalistas, com "Marrom e Amarelo". Entretanto, mesmo que não entre na shortlist (ou vença, é claro), ela já entrou para a história da literatura como a primeira mulher brasileira selecionada na premiação. 

O romance foi publicado no Brasil pela editora Record (2017) e chegou ao mercado internacional pela Charco Press, com o título “On earth as it is beneath” (2025) e tradução de Padma Viswanathan. O enredo fala do cotidiano de uma colônia penal prestes a ser desativada e, conforme a sinopse da obra, parte de um campo histórico marcado por tortura de escravos e assassinato. A instituição, criada para ser um modelo (de onde nenhum preso fugiria), é deturpada e perde o objetivo de ressocializar os detentos para a vida em comunidade. Na prática, a colônia se transforma em algo como um campo de extermínio. 

Nos últimos dias de funcionamento, o clima no local é de aparente calma, mas os horrores vividos ali vão sendo revelados. O agente Melquíades, maior autoridade no local, é também o algoz dos presos. Nas noites de lua cheia, o chefe libera alguns condenados e ordena que corram. Começa então um jogo sinistro, em que ele caça os homens com seu rifle como se fossem animais selvagens. Os presos, cada qual com sua história, estão sempre planejando a própria fuga, sem saber se serão mortos pelos guardas ou o que os espera do lado de fora daqueles muros.

Opinião da crítica e prêmios

A trajetória bem sucedida do livro já incluiu a vitória do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Melhor Livro, e elogios da crítica. Segundo o júri do International Booker Prize, “Assim na terra como embaixo da terra” explora de maneira severa e inquietante o poder, a violência, a destruição e a corrupção institucional, em uma prosa enxuta e magistral. Como apontado no site do prêmio, Gabino Iglesias, do The New York Times, considerou a obra inventiva e implacável e destacou que apesar da atmosfera carregada de brutalidade e assassinatos, para ele a prosa da autora é bela e envolvente. Já Leo Bois, do britânico Morning Star, fala que Ana Paula (que também assina o roteiro da série "Desalma"), dá uma aula de suspense, entre outras coisas.  

Os finalistas da premiação internacional serão divulgados em 31 de março e o vencedor, em 19 de maio de 2026.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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Tags: Livros cultura

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