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Copel pode aumentar em até 51% a conta de luz no Paraná

Proposta passa por consulta pública até 22 de maio, com audiência pública marcada para 29 de abril, em Curitiba

Copel pode aumentar em até 51% a conta de luz no Paraná

Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo

A conta de luz no Paraná pode ficar significativamente mais cara a partir de 24 de junho. Segundo a proposta preliminar de Revisão Tarifária Periódica (RTP) de 2026, apresentada pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) e colocada em consulta pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o aumento médio seria de cerca de 19% para consumidores residenciais e pode chegar a até 51% para parte do setor industrial, dependendo da classe de tensão.

A distribuidora atende cerca de 5,29 milhões de unidades consumidoras em 394 dos 399 municípios do estado, com receita anual estimada em torno de R$ 16 bilhões. Privatizada pelo governo Ratinho Júnior (PSD), a empresa, que cortou milhares de postos de trabalho, defende o reajuste alegando que os recursos serão usados em “melhorias” no sistema de energia do Paraná.

Como a revisão funciona e quem será mais atingido

Diferente dos reajustes anuais, que apenas atualizam tarifas com base na inflação e em custos não gerenciáveis, a Revisão Tarifária Periódica é um ciclo aprofundado a cada cinco anos para a Copel. Nesse processo, a Aneel reassume custos operacionais, investimentos na rede, metas de eficiência e a forma de remunerar os ativos da distribuidora, o que impacta diretamente o lucro dos acionistas.

A nota técnica indica um impacto médio de 19,15% a 19,20% nas tarifas residenciais urbanas (classe B1) no Paraná, com percentual ligeiramente menor para áreas rurais. Para o setor de alta tensão, que inclui indústrias, grandes comércios e sistemas de irrigação, a média proposta gira em torno de 19,55%, mas algumas classes sofreriam saltos bem mais brutais: até 51,21% para a classe A2 e 45,24% para a A3, o que pode afetar competitividade e custos de produção em cadeias econômicas sensíveis.

Por que a tarifa deve subir?

A Aneel aponta como principais fatores que pressionam a proposta:

Além desses itens técnicos, está em jogo uma nova lógica de rentabilidade da Copel pós‑privatização. Com a empresa passando a buscar maior lucro para investidores, parte da pressão aparece mitigada via tarifa, não via corte de margem.

Impactos da privatização 

A privatização da Copel, concluída em agosto de 2023 sob o governo Ratinho Júnior (PSD), foi acompanhada por promessas de modernização, maior eficiência e investimentos em infraestrutura. Na prática, porém, consumidores paranaenses vêm registrando reajustes sucessivos nas faturas desde a transição da companhia. 

Após privatização Copel cortou um quarto dos funcionários
Desde 2010 a empresa já reduziu pela metade a força de trabalho contratada

A Aneeel continua autorizando revisões e atualizações periódicas, dentro do contrato de concessão. A tese defendida pelas empresas é de que esses valores cobrem investimentos em modernização, expansão e redução de perdas técnicas. 

Como participar da consulta pública

A Consulta Pública nº 005/2026 ficará aberta entre 8 de abril e 22 de maio, período em que a sociedade pode enviar contribuições sobre a proposta de reajuste da Copel. As manifestações podem ser feitas:

Além disso, está prevista uma audiência pública presencial no dia 29 de abril, em Curitiba, com local ainda a ser confirmado.

Após essa etapa, caberá à diretoria da Aneel decidir se aprova, modera ou reduz parcialmente os índices propostos pela Copel. Se mantido em grande parte, o reajuste passa a valer a partir de 24 de junho de 2026, afetando milhões de unidades consumidoras.

Marya Marcondes

Marya Marcondes

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Palmeirense e colecionadora de hobbies.

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Tags: Copel Paraná

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