Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
A conta de luz do paranaense pode ficar ainda mais cara. A Companhia Paranaense de Energia (Copel) apresentou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a proposta preliminar da Revisão Tarifária Periódica (RTP) de 2026, que aponta aumento médio de quase 19% para consumidores residenciais e, em algumas classes de alta tensão, saltos de até 51%.
A Consulta Pública nº 005/2026, que debate a proposta da Copel, fica aberta até esta sexta-feira (22). A sociedade pode enviar contribuições pela página da consulta no site da Aneel ou por e‑mail, para temas específicos como perdas técnicas, estrutura tarifária e revisão tarifária. Se mantida em sua forma atual, a mudança de tarifas entrará em vigor em 24 de junho, aumentando o custo das contas de milhões de paranaenses.
Como participar da consulta pública
- Pela página da consulta no site da ANEEL (Consulta Pública nº 005/2026).
- Por e‑mail, para os endereços:
- [email protected] - para o tema Perdas Técnicas;
- [email protected] - para o tema Estrutura Tarifária.
- [email protected] - para o tema Revisão Tarifária.
Privatização e reajustes
A Copel, privatizada pelo governo Ratinho Júnior (PSD) em 2023, defende o reajuste dizendo que os recursos serão usados em melhorias e modernização da rede. A empresa atende cerca de 5,29 milhões de unidades consumidoras em 394 dos 399 municípios do estado e tem receita anual estimada em R$ 16 bilhões.
Diferente dos reajustes anuais, a RTP é um ciclo mais profundo, feito a cada cinco anos, em que a Aneel revisa custos operacionais, investimentos, metas de eficiência e a forma de remunerar os ativos da distribuidora. Para as tarifas residenciais urbanas (classe B1), o impacto médio projetado fica entre 19,15% e 19,20%, com percentuais um pouco menores no meio rural. Já para o setor de alta tensão, a média fica em torno de 19,55%, mas em algumas classes a elevação chega a 51,21% (A2) e 45,24% (A3), o que pode pressionar custos e competitividade de empresas.

Entre os principais fatores que empurram a tarifa para cima, segundo a Aneel e a Copel, estão o aumento dos custos de transmissão, o repassar de encargos setoriais, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), e a retomada de componentes financeiros que estavam represados em reajustes anteriores. Somado a isso, entra em jogo a nova lógica de rentabilidade da Copel pós‑privatização: o modelo busca garantir maior retorno para acionistas, e boa parte da pressão tende a ser distribuída por meio da conta de luz.
