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Áudio vazado da FAS repercute e entidades cobram medidas da Prefeitura

Representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Assistência Social divulgaram carta aberta em que pedem afastamento da gestão da FAS

Áudio vazado da FAS repercute e entidades cobram medidas da Prefeitura
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O direcionamento dado pela presidente da Fundação da Ação Social de Curitiba, Maria Alice Erthal, a servidores – de acionar a Guarda Municipal para causar “um pouquinho de medo” em grupos de moradores em situação de rua – repercutiu após publicação da denúncia pelo Plural.

A Comissão de Defesa de Direitos Humanos da OAB Paraná elaborou nota em que lamentou o “o posicionamento descabido” da gestora da FAS. “A OAB sempre tem se colocado como defensora dos direitos humanos e da justiça social, e tem contribuído com ações voltadas a enfrentar a questão da população em situação de rua (PSR), como a construção de um plano estadual e municipal baseado em dados e voltado à promoção de direitos da PSR”.

Representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) divulgaram nesta quinta-feira (24) carta aberta em que pedem “medidas urgentes em relação a esses eventos”.

O documento sugere afastamento imediato da atual gestão da FAS “enquanto uma investigação transparente e imparcial seja conduzida a respeito das declarações e práticas relatadas”. Pede ainda um processo de análise e reforma interna do órgão “para garantir que suas ações estejam alinhadas com os princípios de acolhimento, respeito aos direitos humanos e promoção do bem-estar social” e mais diálogo com representantes da sociedade civil e especialistas para a elaboração de um plano de ação que resgate a eficiência da entidade.

“As declarações que foram proferidas pela presidente da FAS não apenas vão contra a missão e os princípios da fundação, mas também ferem os valores de empatia, respeito e dignidade que são essenciais em nosso compromisso com a assistência social. A sugestão de utilizar a Guarda Municipal para coagir e dispersar pessoas em situação de rua é completamente inaceitável e desumana”, consta na carta.

Repúdio

Mais cedo, o Núcleo de População em Situação de Rua do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) publicou uma nota de repúdio ao que também chamou de “áudio higienista e aporofóbico” da chefe da entidade e pediu que sejam tomadas medidas cabíveis.

Segundo a nota, a fala gerou preocupação porque a violação aos direitos humanos é também uma violação ao Código de Ética Profissional do Psicólogo.

“Esse tipo de postura não condiz com o que se espera de uma pessoa que representa o poder público ou a assistência social, e que deveria atuar na promoção dos direitos humanos, na emancipação de pessoas que se encontram vulnerabilizadas. Acompanharemos o caso!”, diz o texto.

O Sismuc, sindicato que representa o funcionalismo de Curitiba, emitiu uma nota de repúdio. "O SISMUC repudia veementemente esta prática que desumaniza a população em situação de rua (PSR) e também os servidores e servidoras da assistência social. Além disso, os coloca como meros “limpadores” de rua, desqualificando o trabalho de caráter pedagógico e mobilizador que tem a abordagem social", diz a nota. "O sindicato valoriza e apoia o atendimento dos movimentos populares de luta pela dignidade da população em situação de rua."

Vereadoras e deputada

A vereadora Maria Letícia (PV) classificou a denúncia como gravíssima. “Que tipo de orientação é essa?”, questionou. A também vereadora Giorgia Prates - Mandata Preta (PT) afirmou ter acionado a equipe jurídica para “tomar providências”. “Como vereadora e Como presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, não posso permitir que essa atrocidade passe impune!”, escreveu nas redes sociais.

A deputada federal de Curitiba Carol Dartora, do PT, questionou a forma como a presidente se referiu à situação. “Segundo áudio vazado a prefeitura está preocupada com o quão "feio" estão as ruas. O que é realmente feio: Prefeitura higienista ou pessoas sem moradia?”, criticou.

Apuração

Nesta quinta-feira, a Defensoria Pública do Paraná também se manifestou. Segundo o órgão, a orientação dada por Maria Alice Erthal sugere ilegalidade em diferentes frentes. O Ministério Público afirmou que vai apurar o caso.

Até a publicação deste material, a prefeitura de Curitiba não havia respondido se o caso será apurado internamente.  

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