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Araucária: funcionárias do Sismmar denunciam assédio moral e sexual

Um dos diretores foi afastado do cargo após ser acusado de assédio sexual

mulher branca com mão nos cabelos
Caso está tramitando na Justiça | Foto: reprodução Câmara de Deputados
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Ao menos sete trabalhadoras acusam diretores do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (Sismmar) de assédio moral e sexual. O caso tramita na justiça e três funcionárias se desligaram do Sismmar.

Em maio deste ano, o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Sindicais do Paraná (Sesocepar) apresentou denúncia contra o Sismmar ao Ministério Público do Trabalho (MPT), por assédio moral. Conforme o documento ao qual o Plural teve acesso o Sismmar não remunerava as funcionárias seguindo o piso estadual (R$ 2.057,59), e adotando o salário-mínimo nacional, que é menor.

Quando as funcionárias insistiram que a renumeração estava incorreta, começaram a ser vítimas de assédio moral. Além disso, o Sesocepar também afirma que as trabalhadoras não recebiam horas-extras e que atuavam em desvio de função.

Outra denúncia grave é quanto a conduta do ex-diretor Gilmar Silva, que foi afastado após ser acusado de assédio sexual. A trabalhadora que o acusou chegou a pedir medida protetiva. Ao Plural, o acusado disse que se manifestará nos autos do processo que tramita na Justiça e que provará sua inocência.

O Sismmar foi notificado pelo MPT no dia 10 de junho e tem até o dia 20 deste mês para se manifestar acerca das denúncias.

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Além disso, também foram registrados boletins de ocorrência junto à Polícia Civil (PC).

Sismmar

Pelo site oficial, o Sismmar confirmou o afastamento do ex-dirigente e negou omissão diante do caso. “Em nenhum momento houve omissão: a funcionária foi devidamente acompanhada à delegacia por uma dirigente do Sismmar e recebeu o suporte necessário”, diz o texto.

A nota continua com a afirmação de que o sindicato seguirá os trâmites legais e que a entidade prima pela verdade. “O Sismmar reafirma seu compromisso com a verdade, a justiça e a garantia de direitos — à funcionária, acolhimento e proteção; ao ex-dirigente, o direito ao contraditório e à ampla defesa”.

A entidade também criticou a exposição do caso, embora as próprias trabalhadoras tenham tornado pública a situação. “Lamentamos profundamente a circulação de boatos infundados, insinuações irresponsáveis e versões distorcidas dos acontecimentos. Tais narrativas apenas agravam um cenário já delicado, desinformam a categoria e dificultam o enfrentamento sério do problema. O sindicato repudia, com veemência, qualquer forma de assédio e lamenta as tentativas de desgastar sua imagem ou de seus representantes por meio de acusações levianas”. (Leia a íntegra)

Mulheres

Todas as denunciantes contra o Sismmar são mulheres. Três delas saíram do emprego e outras quatro, que ainda estão no quadro de funcionárias, alegam retaliações após o caso se tornar público.

O grupo divulgou um manifesto, no qual menciona adoecimento psicológico, terror e difamação. Leia a íntegra:

MANIFESTO DAS TRABALHADORAS DO SISMMAR

Estamos há mais de uma semana afastadas do trabalho devido ao adoecimento psicológico e nesse tempo pensamos que poderíamos descansar, o que não ocorreu em um dia sequer. Desde que optamos por lutar na Justiça contra o assédio moral e sexual não tivemos nenhum dia de paz.

Ficamos aterrorizadas ao saber o que houve na assembleia. Aterrorizadas com tanta difamação por parte da direção do Sismmar e assustadas em ver como dizem essas mentiras em público com tanta normalidade. Horrorizadas por ver a forma como o nosso sindicato Sesocepar foi atacado pelo próprio advogado da categoria.

Não é normal sindicalistas falando que todas as trabalhadoras são mentirosas.

Não somos mentirosas, somos trabalhadoras que se cansaram de salário baixo, falta de respeito e assédio moral. Somos quem se rebelou com a tentativa de acobertamento de assédio sexual e favorecimento do agressor em detrimento da vítima.

Temos todas as provas de diversos episódios de assédio moral que, na hora certa, esperamos que possam vir à tona. Enquanto isso, seguiremos atendendo às orientações jurídicas e agindo de forma correta e justa.

Repudiamos todas as invenções, do início ao fim da assembleia. É triste não ver autocrítica e nem transparência por parte de quem errou.

Mesmo diante de todo o desgaste e da campanha de difamação, seguiremos cobrando nossos direitos: pagamento imediato do piso estadual das auxiliares administrativas, retroativo de janeiro de 2025, equiparação salarial, fim do congelamento de salários e do vale-refeição e fim do assédio moral e sexual dentro do Sindicato.

O Sismmar não cobra que a Prefeitura pague o piso? Então pague o piso! Não cobra equiparação? Dê equiparação! Não cobra o fim do assédio moral? Pare de assediar! Não faz campanha contra o assédio sexual? Combata quando ele ocorre dentro do Sindicato também!

Repudiamos a narrativa elitista de que não somos capazes de nos organizar e lutar por nossos direitos. Temos inteligência e capacidade para exigir o que é nosso direito. É a direção que nos deve, e não o contrário. Não estamos pedindo nenhum favor, só cobramos o que é nosso. Nos deixem em paz.

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É uma ofensa essa invenção de que a Oposição estaria nos usando para um "golpe". Sabemos pensar por nossas próprias cabeças e ninguém irá nos manipular ou nos usar. Respeitem a nossa autonomia e superem esse pensamento elitista de que só vocês podem se organizar, muita coisa da luta nós aprendemos dentro desse Sindicato.

Em tempo, agradecemos aos professores que nos apoiaram de diversas formas em momento tão delicado e enviamos nosso rodear de solidariedade a quem foi atacado por isso.

“É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que num dado momento a tua fala seja a tua prática” (Paulo Freire)

Funcionárias:

Adrielle Claraliz

Ágatha Santos

Danielle Müller

Isabely Guido

Ex-funcionárias da gestão:

Nilce Leda

Daniela Santos

Jeane  Pereira

Nota do advogado do Sismmar

MANIFESTAÇÃO SOBRE LEVIANAS ACUSAÇÕES AO SISMMAR – SINDICATO DOS SERVIDORES DO MAGISTÉRIO MUNICIPAL DE ARAUCÁRIA
Responsável: Ludimar Rafanhim

Sempre acreditei que não é justo ficar inerte e omisso quando injustiças estão sendo praticadas em nossa sociedade.


Não posso ficar omisso sobre o que estou vendo conforme relato a seguir.
O SISMMAR e seus dirigentes estão sendo vítimas de grave injustiça resultante de acusações levianas e irresponsáveis.


A ninguém é dado ficar silente frente ao que está acontecendo e alimentado por dois veículos de comunicação de pequeno porte, um com sede física em Araucária e outro amparado em uma plataforma.


Nenhum deles procurou a direção da entidade sindical para saber a realidade dos fatos e de forma sensacionalista maculam a imagem de pessoas e entidade.
A entidade e dirigentes estão sendo acusados de algo que não fizeram, qual seja a prática de assédio moral em face das funcionárias da entidade sindical.


Parte das funcionárias da entidade alegaram que foram vítimas de assédio moral, mas até aqui nunca disseram quem foi assediador, quando e como ocorreu.


Conheço todas as funcionárias e ex-funcionárias do sindicato e sei do quanto são valorosas para a entidade, mas a sua condição não pode se transformar em instrumento político de outros para desgaste para entidade e seus também valorosos diretores eleitos pela categoria. As trabalhadoras não podem ser usadas como ferramenta para oportunistas que até já foram vítimas de ataques por gestões municipais anteriores.


Em nenhum momento as trabalhadoras do Sindicato procuraram a Direção para alertar da prática de assédio moral e pedir providências.


O suposto assédio sexual foi tratado com os cuidados e responsabilidades devidas para não expor a vítima e nem condenar previamente o acusado. A funcionária foi acolhida pelas diretoras e diretores do Sindicato para adotar as providências cabíveis e que hoje estão sob investigação pelas instituições públicas responsáveis pela questão. O suposto agressor afastou-se da direção e até se desfilou da entidade para que as investigações ocorram com isenção e serenidade. A exposição da empregada publicamente foi também de responsabilidade de pessoas alheias à direção sindical. Cabe aos ofendidos buscar a reparação de eventual dano na esfera cível e criminal.


A assembleia geral da categoria formou uma comissão de ética para investigar os supostos fatos.


As funcionárias do Sindicato tiveram acolhidos praticamente 100% dos pedidos na negociação coletiva e firmado acordo com a presença do presidente do Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais Profissionais do Estado do Paraná.
Nenhum direito das empregadas afastadas foi suprimido e elas buscam o auxílio doença junto ao INSS por seu afastamento já ultrapassar os 15 dias legais.


As empregadas tiveram também ampliada a estabilidade no emprego de seis meses após a posse da nova diretoria para até o término dos trabalhos da Comissão de Ética.


O Sindicato contratou profissional de saúde especializado para acolher e acompanhar as empregadas quando retornarem ao trabalho.


Saibam os oportunistas que estão prestando um desserviço para a luta dos trabalhadores e manutenção o Estado Democrático e de Direito.


Eu sempre me recordo de grupos políticos que em 2015 e 2016 diziam “nem Dilma e nem Temer” e o povo teve que amargar e continuar amargando com Bolsonaro.


É fundamental que os movimentos sociais apoiem o Sismmar nesse momento para que possa continuar fazendo a luta pelos profissionais da educação de Araucária e por toda a sociedade como sempre fez.


Para aqueles que pensam que não têm nada a ver com isso cito Bertold Brecht.

INTERTEXTO

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Ludimar Rafanhim
Advogado

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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