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Alérgico a dinheiro

Andrei Moscheto conta o inusitado fim de Martim

Por Admin
Alérgico a dinheiro
Publicado:

- Evandro!

- Fala.

- Olha aqui.

- Eu não vou ficar olhando a sua mão. Aposto que é aquelas brincadeiras pra me dar um tapão na cara.

- Não é isso, é coisa boa. Olha ali: tá dando uma coceira.

- O que é que tem, Martim?

- Coceira na mão, cê sabe...

- Não.

- É dinheiro chegando!

- Para...

- Juro pra você.

- Você acredita nisso?

- Acredito muito, nunca falhou. Todas as vezes que minha mão coçou era dinheiro chegando. E, pela coceira, desta vez tá vindo muito dinheiro.

(Três dias depois, no enterro de Martim)

- Meus pêsames.

- Ô, Evandro, que benção que você pode vir. Você, que esteve com ele nos momentos finais.

- Eu sinto muito mesmo. Queria ter podido ajudar mais...

- Você fez o que pode. Quem iria imaginar que ele teria um ataque alérgico tão forte pela pele toda.

- Eu até vi, começando na mão, mas quando se espalhou pelo corpo, ele meio que ficou desesperado. Gritava "Meu deus! Tá vindo muito dinheiro, tá vindo dinheiro demais!" e ria, sem parar.

- Coitado... Quando ele percebeu?

- Na hora que começou a afetar a respiração dele, que ele tava todo inchado e vermelho, ele disse:"acho que é melhor eu ir pro hospital". Eu concordei e ainda apontei que tinha um do outro lado da rua.

- Olha só, era uma benção!

- Era sim. Só que eu fui olhar o trânsito pra atravessar, ele que tava com os olhos semicobertos pela pele inchada nem viu nada, foi logo atravessando.

- Foi aí que...

- Sim, o carro-forte pegou ele em cheio. Coisa terrível.

- Que horror, que jeito de morrer...

- Sim, um horror... Mas errado ele não tava, né?

- É... Você tá coçando a mão, Evandro?

- Tô.

- Dinheiro?

- Disidrose.

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